Blog da Confraria

Informação estratégica

Publicado em 27/05/2011 por

Buscar conhecimentos certeiros que sirvam de base para a tomada de decisões estratégicas em todas as áreas de uma empresa – essa é uma das propostas da Inteligência Competitiva, prática que vem sendo muito comentada no meio empresarial. O associado Leandro W. Marcucci, que atua na área há 15 anos, fala um pouco sobre essa especialidade e sobre como ela pode beneficiar as organizações:

O que é a Inteligência Competitiva?
Leandro W. Marcucci
– Tende a ser uma prática, geralmente na forma de um programa estruturado, que busca gerar conhecimentos inteligentes e que podem ser aplicados em todas as áreas da organização. Como ela surgiu no mix de estudos da Gestão do Conhecimento e da Gestão da Informação, vem evoluindo para uma área autônoma com produções científicas cada vez mais especializadas.
Atualmente, além dos pilares básicos como captura, seleção, análise, gerenciamento e disseminação da informação, vêm sendo incorporados novos nichos: estratégicos, táticos e operacionais.
Eu diria que estamos no “boom” da área, que explodiu mesmo com os recursos tecnológicos que temos à disposição, aliados à facilidade de encontrarmos informação de alta qualidade. Isso era impensável há 15 anos, quando o conceito começou a ser difundido de forma veemente nos EUA e na Europa.

Quem pode se beneficiar de um trabalho de Inteligência Competitiva?
Leandro W. Marcucci
– Qualquer empresa, profissional autônomo ou especialista, uma vez que todos precisam se superar diariamente em seus mercados de atuação. Muitos já vislumbram a Inteligência Competitiva como ferramenta indispensável para a criação de conhecimento, para a tomada de decisão e para a busca de resultados cada vez mais satisfatórios frente aos concorrentes.

Qual a formação dos profissionais que trabalham com isso?
Leandro W. Marcucci
– Geralmente, quem atua na área são profissionais com formação mais generalista, como administradores, “marketeiros”, bibliotecários, psicólogos, pedagogos, profissionais de tecnologia, engenheiros etc. Mas venho presenciando o surgimento de profissionais de áreas como Filosofia, Teologia, Design, Sociologia, entre outras das Humanas e Sociais.
Já se encontram cursos de formação, extensão, pós, mestrado e doutorado nessa área, mas vale ressaltar que todos são voltados para o mercado de trabalho. O universo acadêmico tem produzido muitos estudos com enfoque na resolução de problemas empresariais, o que antes não acontecia de forma tão acentuada, pois a teoria prevalecia sobre a prática.

A Inteligência Competitiva é uma prática comum nas empresas brasileiras?
Leandro W. Marcucci
– Ainda não. Mesmo eu sendo um “otimista de plantão”, não vejo um mercado tão promissor assim (talvez daqui a alguns anos). Essa não é uma prática comum no Brasil, tanto que ainda existem poucas empresas que oferecem esse serviço.
A meu ver, isso se dá por vários fatores. Cito alguns:
- O empresário brasileiro é imediatista – o planejamento é feito para a própria semana;
- Só se procura resolver problemas quando não há mais solução – e geralmente não há;
- O empresário não consegue trabalhar com a grande quantidade de dados que chegam até ele;
- Há um despreparo emocional dos diretores e da alta cúpula das empresas, o que leva a pressão indevida sobre os subordinados, tratando-os como meros executores.

O que a empresa precisa ter para implementar um processo de Inteligência Competitiva?
Leandro W. Marcucci
- Depende da cultura, do porte, dos objetivos da empresa etc. Eu costumo trabalhar com os seguintes conceitos: Inteligência Analítica de Negócios, Inteligência de Mercado, Inteligência Competitiva de Negócios, ou ainda, Inteligência de Negócios.
Também penso que, embora computadores e dados norteiem os processos decisórios, certamente nada é mais importante do que as pessoas. Em minha prática, tenho visto que, na área de Inteligência Competitiva de Negócios, é preciso atender cada vez mais as necessidades e valorizar os responsáveis pelo sucesso das organizações: os colaboradores.

Em que situações a inteligência competitiva pode ser uma boa solução para uma empresa?
Leandro W. Marcucci
– Principalmente quando se age de forma preventiva. Mas só sabemos disso atualmente porque várias empresas e profissionais de alto escalão foram literalmente “passados pra trás” por concorrentes devido à falta de informação de qualidade que pudesse codificar um comportamento sistemático e que levasse a aferir com eficácia verbas de investidores potenciais.
Um case bem interessante é o da empresa CreditCorp, especializada em gestão de dívidas de consumidores. Os gestores criaram um grupo de Inteligência formado por analistas de várias áreas da empresa e que utilizou o maior banco de dados de dívidas para preços e identificação de clientes de alto potencial financeiro. Dessa forma, o grupo de IC da empresa passou a tomar suas decisões norteado por estudos concretos, e não mais somente pela intuição.
Além disso, foram desenvolvidas, dentro da própria organização, competências estruturais para atender uma enorme demanda em situações nas quais o talento analítico é escasso e é necessário interesse para a resolução de médio prazo dos problemas inerentes a qualquer negócio.

 

Marcucci é administrador, jornalista, publicitário e psicopedagogo. É pós-graduado em Inovação, EAD e Gestão de Pessoas e especialista em Marketing, Projetos e Mapeamento de Processos. Cursou mestrado em Planning e Tecnologia da Informação  pela IberoaAmericana/ Universidad de Léon, na Espanha.

1 comentário para o post “Informação estratégica”

[...] Para conferir a entrevista sobre Inteligência Competitiva concedida por Marcucci ao blog da Confraria, acesse este link. [...]

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